Chute na bunda
Resposta ao texto publicado publicado por Felipe Moreno em
Há tempos não lia algo tão
chocante e tão real a respeito do que acreditamos que somos e fazemos; dos
estereótipos que almejamos e da anarquia que vivemos.
Fala de Shiva, Namastê!
Paz do Senhor! Amém. Que ELE seja contigo! Sagrado seja, divino é.
Quantas vezes vamos por aí
ensimesmados, acreditando sermos singulares e especiais seres de luz? Vixe....
pensa num caos...todo mundo achando a mesma coisa de si mesmo em oposição ao
que outros acham dele... pois é ...
..sinto que cada qual tem seu próprio
universo, onde ele mesmo é o sol, a luz e a treva. Vamos andando montados nas nossas verdades,
sem considerar a verdade do outro. Então... se o cara vai pra Machu Pichu, fuma
maconha, lê dois livro do Sri Prem Baba, toma Ayahuasca e se sente super-energizado,
deixa o cara. A espiritualidade de
shopping, comprada na lata de coca-cola, na tampa da margarina ou no creme de avelã, sob o minha perspectiva não
tem nada a ver com Deus ou as infinitas pontes construídas para tentar encontrá-lo.
Buscar a Deus é uma experiência pessoal, que só tange aos interessados. Hábitos
pacíficos, pacifistas, ligados ou não ao consumo e as suas beldades, tem a ver
justamente com as relações neurais e sinapses em contínuo altivo
movimento. Nós, seres humanos pensamos, estamos inquietos, e por isso nos movemos em relação a si, ao outro e a ideia que temos de Deus. Aderir a grupos é a necessidade
de pertencer, fazer parte, ser lembrado e contribuir para um bem maior
parametrizado justamente com a consciência da pequenez, do sentimento de
insignificância e do desejo de mudar essa sorte. Sou logo existo, mas sozinhos se é apenas sob uma unica luz, uma ótica que não permite confronto, se não podemos confirmar não somos, por consequência não existimos. É em comunidade onde as diferenças
afloram e o palco onde se constroem as vicissitudes. O confronto de ideias e
ideais expõe nossa humanidade no sentido não paradigmático, colocar-se a prova, ser
provado, aprovar, experimentar, colher resultados, alterar a rota, ponderar,
voltar atrás, remar. Construir elos sem correntes, sem amarras. A duvida é que
move, sempre foi assim. A tensão da duvida abre os caminhos e permite que
escolhas sejam feitas. A conclusão de
que tudo é energia já é uma ótima tentativa a meu ver. Ressaca de um porre
astral que inferniza os ânimos e pretende criticar quem não sabe pra onde ir.
Que os aforismas nos nutram e possamos descobrir que palavras de Nietksche
embarcadas em navios mercantes chegaram na porta da senzala e entraram na alma
dos ditados mais populares, e que isso sempre foi assim, e não importa se
chegou por estas bandas navegando ou se um
bolsão ejetado por uma grande nave mãe irrompeu as memórias de algum famoso
novo filos-literário. O que importa é
que toda a humanidade atravessa um período de reinvenção. Em todos os
continentes movimentos revolucionários estão colocando muita gente a serviço do
bem comum, e olha meu amigo, se cada um deles olhar para o próprio umbigo
achando-se moscas brancas a diferença é quase nula para o resultado global
desse pequeno planeta azul. Em um processo sinérgico o resultado dos esforços
simultâneos é maior que a soma deles, e isso gera uma energia maior,
transcendental. Esgarçar, pulverizar, relativizar e, principalmente,
mercantilizar a espiritualidade é um mal necessário. Esgarçar no sentido de
flexibilizar, abrir; onde pulverizar é divulgar, relativizar é considerar a heterogeneidade,
e finalmente mercantilizar e quem sabe até, se Deus quiser, tornar pop,
popularizar. Toda
transformação leva tempo, e as gerações vindouras acedem a um status de
consciência cósmica ahúm mais
elevado. Acreditar ser elevados é o inicio de um processo que irá conduzir ao
apogeu desta fase, nesta vida, neste tempo. Nem todos chegam à mesma reta final
por mais que transcorra o mesmo período de anos, porque cada início e cada
caminho é diferente, cada largada tem uma partida única, singular, exclusiva e irrepetível. A dor não necessariamente é o caminho.
Alargar a alma é questão de atitude, de desmontar-se, de render-se. Sair do
eixo e deixar o mundo entrar. Assim como
caricaturizar os espiritualizados nutella nos coloca diante de um espelho
infernal que só revela a dualidade natural e já descrita na maior parte das
literaturas ofuscadas por modismos ou parcialidades.
Amei paquita namastê e zé
droguinha, assim como amo o empreendedor e as madames florais. Existem ainda
outros estereótipos que poderíamos elencar.
Buscar nunca foi encontrar, mas te coloca no caminho. Vale o alerta e
vale olhar para o salto de conectividade contemporânea. Conheço um grande homem
que na década de 70 já conhecia o mundo inteiro sem sair da sua
biblioteca. Kit felicidade, se existisse
mudaria os estigmas ... mas alerta... se pode ser
comprado, é tangivel, possível, disponível e perde valor.... daí a humanidade reinventa o sentido de felicidade só pra almejar sem quase nunca obter....
Ser algoz em uma jornada onde
tudo eu posso, nos ajuda a pensar, tira da zona de conforto, e nesse caso,
expressar a confusão inerente ao tempo atual nos ajuda a refletir. Seu texto me
extrai do limbo, percebo que ainda há
verdade na loucura, e que é nela onde todos nos encontramos, cada um do seu
jeito. Aqui é onde a humanidade engole o ego e saímos todos de mãos dadas pra
lugar nenhum. Se vamos mascarados ou não só o tempo irá dizer.
A dor que está no isolamento, se
vê fundamentada justamente em que na solidão nada somos. Sem compartilhar o ser
é ofuscado pelo próprio medo de errar, de amalgamar e de ariscar.
Vejo o ápice de seus pensamentos
na passagem do senhor em busca da saberia da avó que conhece o sabor e o saber
da humildade.
Amei o texto, foi um enorme chute
na bunda. Sinto profunda gratidão por essa tarde chuvosa parada em um posto de
gasolina qualquer com uma conexão wi-fi entre um cliente e outro. Seu
desconforto me trouxe alegria. Sairei ainda mais feliz consumindo objetos com
traços de espiritualidade nutella, afinal só o tempo irá dizer se não existe
razão nas coisas feitas com o coração.

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